Na Caixa, salários recuperam poder de compra no governo Lula
O salário precisa acompanhar o custo de vida e permitir que o trabalhador avance além da reposição das perdas. Na Caixa, as campanhas salariais de 2023 a 2026 asseguraram reajustes acima da inflação em todos os anos, acumulando ganho real de 2,62% durante o terceiro governo Lula. O resultado contrasta com a perda de 0,68% registrada entre 2019 e 2022, no governo Jair Bolsonaro.
A comparação considera os reajustes anuais e a inflação medida pelo INPC em cada data-base. No período atual, os aumentos reais foram de 0,5% em 2023, 0,9% em 2024 e 0,6% em 2025 e 2026. São ganhos construídos pela negociação coletiva, que ampliam o poder de compra dos empregados e ajudam a proteger o orçamento das famílias.
Durante o governo Bolsonaro, houve aumentos acima da inflação em 2019 e 2021, mas eles não compensaram as perdas dos outros dois anos. Em 2020, o reajuste foi de 1,5%, diante de uma inflação de 2,94%. Em 2022, a correção de 8% também ficou abaixo do INPC, de 8,83%. O saldo negativo significa que, ao final daquele período, o salário comprava menos.
Essa diferença dá conteúdo concreto ao debate sobre os projetos políticos para os bancos públicos. A valorização dos empregados se mede também pela capacidade de preservar a renda, manter a negociação e transformar reivindicações em direitos. Os avanços salariais do período atual são conquistas da categoria e de sua organização sindical, em um contexto político que precisa ser considerado nessa comparação.
Os dados de emprego acrescentam outra dimensão. Levantamento do Dieese, elaborado com base nas demonstrações financeiras da Caixa, mostra que o quadro passou de aproximadamente 54,5 mil empregados em 2002 para 83,2 mil em 2010. Nos dois primeiros governos Lula, foram acrescidos 28.671 postos, uma expansão de 52,6%.
O crescimento mostra a dimensão da ampliação do quadro naquele período. Mais empregados representam melhores condições para distribuir o trabalho, atender a população e executar as políticas públicas que fazem da Caixa uma instituição essencial ao país.
Esse histórico, porém, não elimina a necessidade de recomposição das equipes hoje. O mesmo estudo registra redução de 2.823 postos entre o encerramento de 2022 e junho de 2026, equivalente a 3,3%. Portanto, a expansão dos primeiros mandatos de Lula ainda não se repetiu no atual. Reconhecer os avanços salariais e cobrar mais contratações são partes da mesma defesa dos trabalhadores.
Considerados os três governos Lula, com o mandato atual contabilizado até junho de 2026, o saldo é positivo em 25.848 postos. O número corresponde à diferença no quadro de pessoal, já descontadas as saídas, e não ao total de pessoas contratadas.
A recuperação do poder de compra e a expansão histórica do emprego demonstram o que a valorização de um banco público pode representar para seus trabalhadores. Dar continuidade a esse caminho exige preservar os ganhos reais e enfrentar a insuficiência de pessoal. Uma Caixa fortalecida precisa de empregados valorizados, equipes suficientes e condições de cumprir seu papel junto à população.