Bancos frustram bancários e não trazem índice de reajuste salarial
Na sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, realizada nesta quinta-feira (13), a Fenaban, mesmo com o compromisso assumido em mesa de negociação anterior, não apresentou proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas.
Entretanto, trouxe para a mesa propostas que atacam a unidade e os direitos da categoria: reajuste dos vales alimentação e refeição de acordo com a região do país; congelamento do piso de ingresso; e reajuste salarial diferenciado em três faixas (menores salários, salários intermediários e maiores salários), mas não informou quais seriam os percentuais que seriam definidos para cada uma delas.
As propostas apresentadas foram vistas como uma afronta pelo comando, sobre o reajuste diferenciado nos VA e VR, Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, disse: “Eles não querem aumentar o custo. Querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”.
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e membro integrante do Comando dos Bancários, também mostrou indignação: “Não aceitamos qualquer proposta de modelo diferenciado de reajuste que divida os bancários por faixa salarial, ainda mais sem apresentar o índice para cada uma das faixas. Os bancários e bancárias querem e merecem aumento real para todos; valorização do piso para todos; valorização da PLR para todos; valorização do VA e VR para todos. Defendemos a manutenção da nossa pauta de reinvindicações, com valorização para todos, sem diferenciação”.
A representação dos banqueiros chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Mas, depois de um intervalo durante a negociação, recuou.
Diante da postura dos banqueiros, sindicatos dos bancários de todo país convocarão assembleias para a próxima segunda-feira (17). Em Petrópolis a assembleia será realizada de forma presencial em nossa sede, às 18h30 (confira o edital de convocação AQUI).
O Comando Nacional dos Bancários, a Federa-RJ e o SindBancários Petrópolis orientam a rejeição da proposta da Fenaban.
A próxima negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 está agendada para a próxima terça-feira, 18 de agosto.
Banqueiros podem atender as reinvindicações
A Fenaban voltou a justificar a sua dificuldade em atender a reinvindicação dos bancários por aumento real apontando um cenário de concorrência com outros atores do sistema financeiro, juros altos e inadimplência.
O Comando Nacional dos Bancários rebateu a narrativa dos banqueiros destacando que o lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil e nas cooperativas R$ 173 mil, uma diferença de 153% em favor dos bancários. Em outras palavras, os empregados dos bancos são muito mais produtivos e lucrativos do que os empregados das cooperativas.
Além dos dados referentes à lucratividade dos bancos em 2025 – quando o setor bancário registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões e patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão – os balanços semestrais de 2026 também demonstram que os banqueiros podem valorizar a categoria com aumento real e melhores condições de trabalho.
Bradesco, Itaú e Santander, os três maiores bancos privados que atuam no Brasil, registraram lucro líquido conjunto de R$ 45,4 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado e foi divulgado justamente em meio à Campanha Nacional dos Bancários 2026, quando a categoria reivindica aumento real para salários, demais verbas e melhores condições de trabalho.
Já o Banco do Brasil teve lucro de R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026. No segundo trimestre deste ano, o banco público registrou lucro de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% em relação ao trimestre anterior.
A Caixa ainda não divulgou seu balanço semestral. No primeiro trimestre do ano, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, crescimento de 25,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.
“O setor bancário lucro R$ 174 bilhões ano passado. Não tem sentido apresentar uma proposta rebaixada. Por que não tirar dos altos executivos, então, para pagar o reajuste que a categoria bancária exige e tem de direito?”, destaca Juvandia Moreira, lembrando que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026. “Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, completou.