A importância de cada trabalhador na luta coletiva
Na altura do “campeonato”, deve ser de conhecimento geral que vivemos dias de negociações como parte da Campanha Nacional das Bancárias e Bancários 2026, que neste ano possui o tema: “Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta”.
Desde a entrega da pauta de reivindicações da categoria bancária, realizada no dia 24 de junho, já se passaram 58 dias e oito rodadas de negociações entre o Comando Nacional (que representa os trabalhadores) e a Fenaban (que representa os bancos), passando pelos mais variados e importantes temas relacionados ao trabalhador bancário, como: condições de trabalho, respeito às pessoas com deficiência (PCDs), teletrabalho, direito à desconexão, regulamentação da inteligência artificial, segurança bancária, combate à discriminação, inclusão, combate às metas abusivas, fim do adoecimento, divisão dos lucros, valorização do VA/VR, aumento real de salário etc.
Já na entrega da minuta, a Fenaban recusou a assinatura de um pré-acordo para garantir a ultratividade, que é o princípio pelo qual a Convenção Coletiva de Trabalho continue valendo, mesmo após o fim da sua vigência, garantindo a manutenção de salários e direitos sociais até que um novo acordo seja firmado.
A Fenaban também recusou o pedido de que não houvessem demissões e fechamentos de agências durante o processo negocial.
E isso foi só o início. Durante as rodadas de negociação, sofremos ameaças de retiradas de direitos e ataques ao modelo de negociação que unifica bancárias e bancários, de instituições públicas e privadas, em todo o Brasil. As propostas apresentadas traziam reajuste dos vales alimentação e refeição de acordo com a região do país, congelamento do piso de ingresso e da PLR e reajuste salarial diferenciado em três faixas sem, sequer, informarem quais seriam os percentuais praticados em cada uma delas. A representação dos banqueiros chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos.
Diante da postura dos banqueiros, sindicatos dos bancários de todo país realizaram assembleias na noite da segunda-feira (17), com o objetivo de consultar a categoria sobre a proposta dos banqueiros e de se realizar paralisações no dia de hoje.
Em Petrópolis, a assembleia contou com uma participação extremamente baixa. Devido a isso, os presentes à assembleia resolveram deliberar, com aprovação por unanimidade, pelo Estado de Greve.
E é aqui que entra o título desse texto… A importância de cada trabalhador, cada indivíduo, numa causa coletiva. A assembleia contou com menos de 6% de participação, sendo que, desse total, 78% dos presentes à assembleia eram dirigentes sindicais. Se contarmos quem não tem mandato sindical, a participação foi de impressionantes 1,27%!
Como construir uma luta coletiva onde o individual, o indivíduo, não participa? Como podemos criar mobilização e unidade, para enfrentar as adversidades e desafios, se individualmente não existe ação?
Precisamos entender que, mais do que nunca, nossas ações individuais são imprescindíveis para nossa luta coletiva. Só assim teremos alguma chance de alcançar as conquistas que tanto necessitamos e merecemos.
Os bancos lucram BILHÕES todos os meses, fruto do nosso trabalho, de nossas ações... E este é o momento de cobrar reconhecimento e valorização. Ou nos mexemos ou seguiremos adoecendo de tanto ser explorados.